segunda-feira, 5 de outubro de 2015

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Participação de Sandra Domingues em Orestes - O Filme


Em cartaz nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Fortaleza e São Luis. 

Em fevereiro de 2013 fui convidada para participar do Elenco do Filme “Orestes”, que mistura ficção com realidade. Foi uma experiência muito difícil, visto que estava em meio a pessoas dos “Direitos Humanos”, vítimas, torturadas e familiares de vítimas que foram mortas, na época da Ditadura. Também participaram da trama familiares de vítimas, de “supostos” marginais, mortos por policiais, sendo que um dos casos, acompanhados pelo Grupo Justiça é o que se Busca, era do filho do Daniel Eustaquio de Oliveira, que conseguiu provar a inocência do filho César, morto em 2012, sendo que os 6 PMs acusados foram julgados e condenados em janeiro desse ano, e eu que defendia as vítimas de: Homicídio, Latrocínio, Trânsito, Erro Médico, Bala Perdida…enfim, vítimas da violência.

Foram 4 finais de semana de gravação, um mês, que mais pareceu um ano…e mexeu demais com todos os participantes, pois cada um, dentro da sua ótica, enxergava a situação de uma maneira diferente. Atuei representando a dor de 500 famílias, de casos acompanhados pelo Grupo Justiça é o que se Busca e tomei como minha a dor de cada pai, cada mãe, que ali defendia, citando em especial o caso das 12 crianças mortas dentro de uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro. 

Foi sem duvida, uma experiência muito difícil, mas agradeço o convite do Rodrigo Siqueira e o carinho de todos os participantes, em especial à Marisa Greeb e José Roberto Michelazzo, que ao final da dramaturgia entenderam a minha posição, uma vez que fui totalmente coerente e fiel as minhas convicções e àquilo que acredito e defendo, ainda que não tenha conseguido retratar com fidelidade o meu “ponto de vista” sobre à Pena de Morte.

O Filme misturou ficção e realidade, inventando um crime a partir de fatos reais e o levou a um debate público e a tribunais do júri simulados. O documentário, com cenas nada ensaiadas, foi gravado no prédio vazio do DOI-Codi de São Paulo e no Teatro Taib, no Bom Retiro.


SINOPSE: A filha de uma militante política traída e executada, um policial, uma defensora da pena de morte, um ex-preso político, pais que perderam seus filhos, um advogado, um promotor e uma enfermeira que lida diariamente com o resultado da violência são alguns dos personagens que se confrontam nesta reflexão sobre os mecanismos da justiça e as possibilidades de resgate das culpas e dívidas de várias gerações. Fantasmas da ditadura, posições antagônicas sobre responsabilidade, ética e punição e os próprios ritos, tanto dos tribunais como da tragédia grega, são passados no fio da navalha.

Um comentário:

  1. Hoje, passados 2 anos da gravação do filme, tenho uma outra visão: sei que armas são plantadas SIM por policiais e também compreendi que eu posso sim ser solidaria, ajudar os meus "semelhantes" sem viver a dor do outro...sem sentir na pele a dor do outro.

    Entendi que posso ajudar sem me envolver afetivamente com as famílias, poupando-me, inclusive, de futuramente ter que conviver com a dor da ingratidão.

    Agradeço ao diretor do filme Rodrigo Siqueira, pelo convite e poder fazer parte do elenco desse filme tão polêmico, que fez com que eu amadurecesse e revisse os meus valores, ainda que mantenha minha posição em relação à questão: Entre morrer um policial ou bandido, se tiver alguém que ser morto, que morra o bandido!
    Lamento não ter conseguido passar, com fidelidade, o que realmente penso em relação à pena de morte, mas retratei com fidelidade o Meu Eu!

    Convido aqueles que puderem a assistir !

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